Fronteira
Sem previsão para a segunda ponte de Jaguarão
Governo Federal mudou cronograma de início das obras para este ano, mas segue tudo parado
Um ano após o ministro de Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas anunciar a abertura de licitação para a construção da nova ponte sobre o Rio Jaguarão, na BR-116, a situação da travessia entre Brasil e Uruguai segue a mesma. Apesar do governo federal ter confirmado mudanças no cronograma que transferiu a licitação e o início das obras para este ano, até agora nada foi feito. E tudo indica que continuará assim. Da mesma forma, a restauração da ponte Barão de Mauá, também inclusa no projeto de modernização da travessia, segue sem previsão.
Há cerca de um mês, o prefeito Favio Telis (MDB), de Jaguarão, esteve em Brasília em agenda no Ministério de Infraestrutura. Segundo ele, foi informado de que, mais do que a falta de recursos previstos, não há sequer projeto técnico para a construção da obra - item essencial para abertura de licitação. Com isso, segue tudo parado. "Ficamos em um ponto mais avançado, mas ainda no zero. Todos entendem a necessidade da ponte, mas não tem nem projeto, nem recurso. Temos a vontade, mas não temos o dinheiro", comenta o prefeito, que ressalta a importância da nova estrutura para a economia com o aumento no fluxo de transportes de cargas, empregos, renda e serviços.
De acordo com Telis, nos ajustes feitos dentro da intenção de realizar a obra, o projeto acabou excluindo o restauro da histórica ponte Barão de Mauá, atualmente a ligação entre Jaguarão e a uruguaia Rio Branco. O motivo, segundo ele, seria um equívoco do primeiro projeto, que teria no mesmo edital a previsão da restauração. O prefeito diz que, por se tratarem de diferentes empresas especializadas - uma em construção e outra em restauro - não seria possível manter o mesmo processo. "Nossa ponte já não aguenta mais todo esse peso que vem aguentando e pode trazer problemas futuros", preocupa-se.
Outras prioridades
Mesmo com a promessa de início das obras em 2021 não se cumprindo, Telis vê como bom sinal que o Ministério da Infraestrutura tenha comprometido em realizar pelo menos o estudo técnico para a obra até o fim do ano. Contudo, para que a construção ocorra de fato, as únicas alternativas apontadas pela pasta são um eventual remanejo de recursos federais ou destinação de emendas parlamentares. Não há valor estabelecido para o empreendimento, já que a estimativa depende dos resultados do estudo técnico.
Para o vice-presidente de Infraestrutura da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), Antônio Carlos Bacchieri, a obra representaria uma estrutura em melhores condições que as atuais. Porém, acredita que a região tenha outras prioridades. "Não quer dizer que não é necessário. Pelo contrário, a obra é bem vinda. Mas acredito que há coisas que poderiam ser feitas antes", comenta, citando a conclusão da duplicação do lote quatro da BR-392 no acesso ao Porto de Rio Grande e a duplicação ou restauro da antiga ponte sobre o arroio São Gonçalo. Bacchieri ressalta que, no momento, o ministério está tendo dificuldades para concluir a duplicação da BR-116.
O Diário Popular entrou em contato com o Ministério de Infraestrutura e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), mas nenhum dos órgãos enviou posicionamento até o fechamento desta reportagem.
Relembre
O sonho da segunda ponte ligando Jaguarão e Rio Branco não é de hoje. Desde a década de 1990 a possibilidade é discutida. Entretanto, só em 2010 a expectativa pela obra começou a ganhar forma. Na época, o governo brasileiro anunciou que daria início à elaboração do projeto técnico da estrutura e que em até 90 dias estaria pronto, permitindo a licitação. O investimento previsto na época era de R$ 100 milhões, bancados exclusivamente pelo governo brasileiro. Sem progresso da iniciativa, em 2014 nova reunião entre os governos brasileiro e uruguaio definiu os pontos necessários para a abertura de licitação da obra, que passou a incluir também o restauro da ponte Barão de Mauá. O lançamento do edital estava previsto para novembro daquele ano com o custo aproximado de R$ 200 milhões para as duas obras.
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